Mundo
Número recorde de incêndios florestais em 2025 na União Europeia
Portugal registou 999 incêndios que deflagraram 284.012 hectares, o dobro do ano anterior. 2025 foi é o segundo pior ano desde 2010 embora ainda esteja muito aquém do extremo de 2017.
De acordo com os novos dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS), gerido pelo Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, a União Europeia registou a época de incêndios florestais mais devastadora de que há registo em 2025, com mais de um milhão de hectares de terras ardidas – uma área aproximadamente igual à de Chipre.
Em 2025, foram mapeados incêndios em 25 dos 27 países da UE (todos, exceto Luxemburgo e Malta, onde não foram detetados incêndios), queimando 1.079.538 hectares, a maior área ardida alguma vez registada pelo EFFIS na UE. Quase o dobro da área ardida média na UE, o pico principal ocorreu em julho e agosto, quando alguns dos maiores incêndios do ano foram mapeados em Espanha e Portugal.A época de incêndios florestais de 2025 assinalou
novos padrões preocupantes: épocas de incêndios mais precoces e mais
longas, com incêndios a começar já em março; ondas de calor mais
frequentes e intensas, que alimentam um fogo extremo; e incêndios
florestais que se propagam a latitudes mais elevadas, afetando regiões
anteriormente consideradas de baixo risco.

Cicatrizes de incêndios produzidos por fogos florestais durante a época de 2025 – Relatório preliminar sobre os incêndios florestais na Europa, Médio Oriente e Norte de África em 2025
Em PortugalEm 2025, 999 incêndios deflagraram em 284.012 hectares, o dobro do ano anterior. Este é o segundo pior ano desde 2010 (o quarto pior no EFFIS), embora ainda esteja muito aquém do extremo de 2017.
Após um início tranquilo, 81% do total anual dos incêndios em Portugal ocorreram agosto.
O relatório hoje divulgado refere que os sete maiores incêndios (seis dos quais com mais de 10 000 hectares) ocorreram nesse mês de verão do ano passado.
O primeiro, segundo, quarto e sétimo maiores eventos, (respetivamente com 62 104 hectares, 37 619, 23 594, e 9 523), ocorreram na mesma região das Beiras e Serra da Estrela, enquanto o terceiro maior, com 30 455 hectares, ocorreu na Região de Coimbra.
O quinto maior incêndio florestal ocorreu na região do Viseu Dão Lafões e o sexto na região do Douro.
No que se refere à tipologia de terrenos atingidos pelos fogos em Portugal verificou-se que os que são definidos como áreas de transição foram os mais atingidos 98.969 hectares ardidos o equivalente a praticamente 35 por cento o total.
A floresta de folha larga e a floresta mista foram as áreas menos atingidas. Houve ainda 56.532 hectares ardidos em áreas agrícolas, cerca de 20 por cento, enquanto as florestas de folha larga e as florestas mistas foram os tipos de solo menos atingidos.

Principais áreas ardidas em Portugal em 2025. Fonte: Comissão Europeia – Relatório preliminar sobre os incêndios florestais na Europa, Médio Oriente e Norte de África em 2025Incêndios florestais em Sítios Natura 2000 e outras áreas protegidas
Do total de área ardida 424.023 hectares ocorreram em sítios Natura 2000, também o valor mais elevado alguma vez registado pelo EFFIS.
Isto equivale a cerca de 39% da área total ardida nos 27 países da EU, três vezes superior à de 2024 e o dobro da de 2023.
Dois terços dos danos nas áreas protegidas provêm de três países (Espanha, Portugal e Roménia). Em 2025, Espanha foi o país mais afetado, seguido da Roménia e de Portugal, representando, em conjunto, quase 75% da área total ardida em áreas protegidas.
De acordo com o relatório da Comissão Europeia mais de metade da área ardida cartografada em Portugal (51.323 hectares) registou-se em sítios Natura 2000, correspondendo a 2,15% do total das áreas Natura 2000 em Portugal. Registaram-se 317 incêndios nestas áreas protegidas em território nacional.Uma estratégia europeia para os incêndios
Bruxelas salienta que esta época recordista não é uma situação atípica, mas sim um apelo a uma resposta europeia mais forte e mais coordenada. Em 25 de março de 2026, a Comissão Europeia adotou uma nova estratégia para combater o aumento da ameaça de incêndios florestais que abrange todo o ciclo de risco de catástrofes – prevenção, preparação, resposta e recuperação – e estabelece ações concretas a nível nacional e da UE.
A estratégia promove a existência de paisagens resistentes aos incêndios através da gestão sustentável dos solos e da restauração da natureza, reforça o alerta precoce e a monitorização através do EFFIS e do Copernicus e aumenta a capacidade da UE de combate a incêndios através de uma frota de aeronaves de combate a incêndios, do pré-posicionamento de bombeiros e de uma nova plataforma europeia de combate a incêndios com sede em Chipre.
Esta estratégia inclui igualmente a preparação da população, a recuperação pós-incêndio e a integração do risco de incêndios florestais nos quadros de financiamento da UE. Com esta estratégia, a Europa está a adaptar-se a um risco de incêndio florestal que já não é sazonal, mas estrutural.
A temporada de incêndios começou invulgarmente cedo em 2025, com mais de 100 mil hectares já destruídos até o final de março. A situação agravou-se drasticamente durante o verão, em particular no Mediterrâneo, onde uma vaga de calor prolongada em agosto provocou 22 grandes incêndios só em Portugal e em Espanha, queimando 460 585 hectares – quase metade da área total ardida da UE.
Cicatrizes de incêndios produzidos por fogos florestais durante a época de 2025 – Relatório preliminar sobre os incêndios florestais na Europa, Médio Oriente e Norte de África em 2025
Em PortugalEm 2025, 999 incêndios deflagraram em 284.012 hectares, o dobro do ano anterior. Este é o segundo pior ano desde 2010 (o quarto pior no EFFIS), embora ainda esteja muito aquém do extremo de 2017.
Após um início tranquilo, 81% do total anual dos incêndios em Portugal ocorreram agosto.
O relatório hoje divulgado refere que os sete maiores incêndios (seis dos quais com mais de 10 000 hectares) ocorreram nesse mês de verão do ano passado.
O primeiro, segundo, quarto e sétimo maiores eventos, (respetivamente com 62 104 hectares, 37 619, 23 594, e 9 523), ocorreram na mesma região das Beiras e Serra da Estrela, enquanto o terceiro maior, com 30 455 hectares, ocorreu na Região de Coimbra.
O quinto maior incêndio florestal ocorreu na região do Viseu Dão Lafões e o sexto na região do Douro.
No que se refere à tipologia de terrenos atingidos pelos fogos em Portugal verificou-se que os que são definidos como áreas de transição foram os mais atingidos 98.969 hectares ardidos o equivalente a praticamente 35 por cento o total.
A floresta de folha larga e a floresta mista foram as áreas menos atingidas. Houve ainda 56.532 hectares ardidos em áreas agrícolas, cerca de 20 por cento, enquanto as florestas de folha larga e as florestas mistas foram os tipos de solo menos atingidos.
Principais áreas ardidas em Portugal em 2025. Fonte: Comissão Europeia – Relatório preliminar sobre os incêndios florestais na Europa, Médio Oriente e Norte de África em 2025Incêndios florestais em Sítios Natura 2000 e outras áreas protegidas
Do total de área ardida 424.023 hectares ocorreram em sítios Natura 2000, também o valor mais elevado alguma vez registado pelo EFFIS.
Isto equivale a cerca de 39% da área total ardida nos 27 países da EU, três vezes superior à de 2024 e o dobro da de 2023.
Dois terços dos danos nas áreas protegidas provêm de três países (Espanha, Portugal e Roménia). Em 2025, Espanha foi o país mais afetado, seguido da Roménia e de Portugal, representando, em conjunto, quase 75% da área total ardida em áreas protegidas.
De acordo com o relatório da Comissão Europeia mais de metade da área ardida cartografada em Portugal (51.323 hectares) registou-se em sítios Natura 2000, correspondendo a 2,15% do total das áreas Natura 2000 em Portugal. Registaram-se 317 incêndios nestas áreas protegidas em território nacional.Uma estratégia europeia para os incêndios
Bruxelas salienta que esta época recordista não é uma situação atípica, mas sim um apelo a uma resposta europeia mais forte e mais coordenada. Em 25 de março de 2026, a Comissão Europeia adotou uma nova estratégia para combater o aumento da ameaça de incêndios florestais que abrange todo o ciclo de risco de catástrofes – prevenção, preparação, resposta e recuperação – e estabelece ações concretas a nível nacional e da UE.
A estratégia promove a existência de paisagens resistentes aos incêndios através da gestão sustentável dos solos e da restauração da natureza, reforça o alerta precoce e a monitorização através do EFFIS e do Copernicus e aumenta a capacidade da UE de combate a incêndios através de uma frota de aeronaves de combate a incêndios, do pré-posicionamento de bombeiros e de uma nova plataforma europeia de combate a incêndios com sede em Chipre.
Esta estratégia inclui igualmente a preparação da população, a recuperação pós-incêndio e a integração do risco de incêndios florestais nos quadros de financiamento da UE. Com esta estratégia, a Europa está a adaptar-se a um risco de incêndio florestal que já não é sazonal, mas estrutural.